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21 dezembro 2017

Partilha ecológica

 (Milão - Maio 2014)

Sinto um prazer inexplicável quando me cruzo com outro ser humano a utilizar os ecopontos de reciclagem ao mesmo tempo que eu. Gera-se ali um momento de partilha e convívio, calculo que semelhante ao vivido pelas pessoas que passeiam os seus cães e que param para trocar trivialidades enquanto os bichanos se cheiram. Naquele momento em que cedo a minha vez para outra pessoa deitar o  seu saco no ecoponto amarelo sinto-me um pouco menos só (menos louca?) nesta minha luta contra o desgaste do planeta.

Querido Pai Natal: este ano queria que as pessoas tirassem 5 segundos do seu tempo a separar os papéis de embrulho e as embalagens de brinquedos. Pode ser?

15 agosto 2016

Crónicas da ruralidade #2

1. Ontem à noite, mesmo antes de deitar, reparei numa osga grande e gorda confortavelmente instalada no tecto da sala. Ainda ponderei deixá-la lá ficar (estes bichos não me fazem confusão), mas a gata reparou nela ao mesmo tempo que eu e começou a estalar os bigodes. Ia ser uma noite de alvoroço, com direito a miados agudos e probabilidade de móveis no chão, portanto armei-me de uma vassoura e esperei pacientemente que a bicha (a osga, não a gata) se agarrasse às varas para a soltar nos arbustos mais próximos.

2. Por falar em osga, durante mais de 1 ano acalentei estima por uma osga habitante da minha lareira (que não é usada. Nem limpa). Até lhe dei um nome: Elvira, e gostava de a ver passear alegremente com aquelas patinhas pegajosas esborrachadas no vidro. Depois estacionou num canto e nunca mais se mexeu. Pensei que hibernava. Há pouco tempo abri a lareira para limpar e percebi que a Elvira virara cadáver. Afeiçoei-me a uma osga morta, portanto.

3. Decidi de repente ir apanhar amoras (já estão grandes e pretas; não as apanhar é um crime), mas não me apeteceu mudar de roupa, então lá fui de calções, top e chinelos. Não é preciso dizer quão esgatanhada estou. E faço alergia ao silvado.

4. Acabei de encontrar a gata com a cabeça enfiada no balde das amoras. Não sabia que os felinos gostavam de frutos vermelhos, mas o batôn roxo ficou-lhe uma graça.

24 novembro 2015

Aqueles momentos em que não sabes bem para onde olhar

Nunca sei o que esperar das minhas aulas de desenho. Ora é para desenhar plantas, funis, ossos, garrafas partidas, raparigas com carrapitos... o que der na bolha ao professor na altura.

Pois que na última aula entrei porta adentro e estava plantado no meio da sala um moço em tronco nu, com uma toalhinha à cintura. "Pronto, hoje vamos parar de desenhar carrapitos e vamos passar para modelos masculinos" - pensei, na minha ingenuidade. Só que não. Sem que tivesse tempo para me preparar psicologicamente, o moço arrancou a toalhinha e ficou assim, como Deus (e a sua mãezinha) o pôs no mundo. E agora vá, pequenada, toca a desenhar a vista de frente, de lado, de trás e de como mais se lembrarem.

Demorei um bocado a acostumar-me à coisa. Quer dizer, não é fácil ficar assim a olhar fixamente para um estranho em pelota. Mas vá, tudo em nome da arte.

Tenho medo do que me espera da próxima aula. 

24 outubro 2015

O desenho é o meu ponto mais fraco e tenho grandes e reais complexos a tudo quando me sai do lápis. Por esse motivo tenho enormes limitações a ilustrar à mão (a computador não. Don't ask!). Portanto desta vez é que foi: ganhei coragem e inscrevi-me num curso de desenho.

Já vou na 2ª semana de aulas e continuo a sentir-me a mais naba da turma. E a mais velha também. Sei que com a prática a coisa começa a melhorar (é o que dizem), mas para já continuo com o meu traço tosco e incerto. Nobody said it was easy....


20 outubro 2015

Baby me

Diz que ontem foi o meu dia e que fiquei a parecer uma criança com o que me ofertaram:

03 setembro 2015

O meu Santo é forte (ou "a senhora da foice anda a correr atrás de mim e eu a ver")

Armei-me em campónia. Peguei no baldinho e lá fui, para o meio do mato, de perna ao léu e chapéu de palha na cabeça. Distraída com as amoras e os figos, afastei-me demasiado dos campos costumeiros. Só quando as pernas começaram a gritar clemência é que me apercebi de que já tinha andado demasiado. Com o balde pela metade (foi um dia de fraca colheita), comecei o caminho de regresso. 

Nem 100 metros tinha andado quando me virei para trás e vi o fumo negro. E as labaredas. Nunca as tinha visto tão perto nem tão alto, chiça! Precisamente na zona de onde eu tinha acabado de vir. Detive-me uns segundos a pensar como era lindo aquele cenário (dantesco, mas inegavelmente bonito), até o alarme soar na minha mente (telemóvel, onde estás tu nestes momentos em que preciso de ligar para as autoridades? Em casa, pois claro!):
"Run, Forest, Run!"

Dei cordinha aos sapatos e só parei em casa, quando já soavam sirenes por todo o lado.

Ó Universo, o que é que me andas a querer dizer, pá? Gosto de emoções fortes, mas calma lá com isso!

28 agosto 2015

O dia em que quase nos matei

Acordei às 4.30h com uma sensação estranha. Levantei-me, agoniada, e senti um cheiro pestilento. Corri ao quarto da mãe (é o primeiro sítio onde passo quando me levanto). Tudo quieto. Percorri a casa toda até parar na cozinha, onde me deparei com um bico de gás aberto (nunca me tinha acontecido um descuido tão grande). Não fazem ideia do cheiro nem do susto que apanhei!

Hoje é que era; podia ter sido o último. E ninguém daria por nós, aqui fechados, durante semanas (meses?), até o cheiro se tornar insuportável ou toda a casa ir pelos ares.

- O que é que te acordou? - perguntaram-me. A sorte. Ou um anjo que tenho por cima do ombro.

O dia hoje pareceu-me maravilhoso.

12 maio 2015

Cá coisas

Sabem aquela vergonha assumida que vos invade de cada vez que olham para a foto do vosso cartão de cidadão? [podia dizer "foto do vosso CU", mas é uma piada já muito gasta]

Sabem quando pensam que não podiam ter ficado pior?

Acreditem que podiam. E vão ficar. Assim que renovarem o cartão. :|

12 abril 2015

Coração cheio



Fez há dias um mês que nasceu a pequena Carolina. Não sou tia de verdade, sou apenas madrinha do coração, o que acaba por ter mais ou menos o mesmo significado. Fui arrebatada por completo. Agora, onde quer que eu vá, só vejo Carolina: naquele boneco na montra, naquele vestidinho na loja... Sinto até saudades do seu cheirinho a bebé e dos grandes olhos ainda azuis.

Nunca quis ter filhos. Continuo sem querer. Secretamente tenho a certeza de que nunca os terei mesmo (não fui fadada para isso). Mas nada disso importa, porque neste momento tenho o coração cheio de Carolina e só lhe desejo o melhor do mundo. 

04 abril 2015

Turn off #2

Está um dia lindo, convidativo a lamber gelados e a emborcar pacotes de amêndoas. Levanto-me cedo e arrasto-me dirijo-me a custo cheia de motivação para o ginásio, para chegar lá e dar com o nariz nas grades. Diz que é "Sábado de Páscoa". A sério? E como é que fica o assunto das amêndoas? 

02 março 2015

Artisticando (ou o meu lado direito do cérebro a pedalar)

Desde pequena que fui formatada para a área das letras. Era a menina das composições bonitas, dos prémios literários, das palavras tocantes. Tudo o que fosse cores e tesouras não era comigo; EVT era um tormento. Não que eu não gostasse, muito pelo contrário, mas tive a infelicidade de nascer numa época em que se não se mostrasse logo habilidade para certas coisas mais valia não tentar de todo, porque ia resultar em crítica severa. 

E, como tal, lá fiz todo o meu percurso orientado para humanidades. Queria seguir jornalismo ou história. Segui história. Emprego? Qual emprego? Siga para plano B, começar tudo de novo!

8 anos depois aqui estou eu, com carreira profissional em Design, embrenhada nas artes até aos cabelos e a infiltrar-me na área da ilustração a uma velocidade estonteante. E gostava à brava de voltar atrás e levantar um grande dedo do meio aos meus professores de educação visual, que me incutiram a ideia de que mais valia não tocar em pincéis.



A única coisa chata é que quanto mais desenvolvo o lado direito do cérebro mais dificuldade tenho em utilizar a escrita como forma de expressão. Mas não se pode ter o melhor dos 2 mundos e há que escolher entre o lado esquerdo e o lado direito. Fico-me pelo direito. :)

18 fevereiro 2015

Felicidade é...

...passar o dia nisto:


Rapunzel, a torre e um mini-livro em produção.

13 fevereiro 2015

A FNAC dá-me cabo do orçamento!

É que não há vez em que lá entre e saia de mãos a abanar. 
É assim uma espécie de Lei de Murphy: "se entras, compras". Damn!


12 fevereiro 2015

Lamechices

Confesso que só recebi 2 cartinhas do Dia dos Namorados na vida, até porque é um dia que me passa completamente ao lado.

A 1ª tinha eu 15 anos e veio da parte do meu professor de inglês. O homem tinha a mania que era galã e decidiu enviar recadinhos para todas as alunas. A mim calhou-me um poema em que o autor perguntava à amada porque tinha ela comido as últimas ameixas do frigorífico, sabendo perfeitamente que era a fruta preferida dele. Uma coisa extremamente romântica, sem dúvida (cheira-me que deve ter havido porrada quando a amada chegou a casa, mas.....).

A 2ª carta chegou-me este ano, em tamanho A4, num envelope bem vermelhão, sem remetente e directamente de Londres. Só vos digo que dou graças a Deus por aquilo vir bem fechadinho, porque é tão, mas tão lamechas, que faria corar quem quer que o lesse.




E se, por um lado, estou para aqui a sentir enjoos perante tamanha pirosada, estou também sem saber que raio hei-de eu dizer ao rapazinho. Que recebi e adorei? Minto-lhe ou parto-lhe o coração?

Oh, a vida é dura! 

18 janeiro 2015

Pacóvia é o meu nome do meio

Acabei de chegar de um jantar no cú de Judas. Acontece que está a acabar o mundo lá fora e eu tenho propensão para me perder pelo caminho, pelo que decidi ligar o GPS do telemóvel e arriscar a vida conduzindo a olhar para o ecrã.

Não sei em que raio de botão carreguei, mas ainda não tinha andado 200 metros quando o telefone acendeu uma luz azul muito forte e comecei a ouvir vozes. Ai Jasus, 'ca susto! que pensei que tinha telefonado para alguém por engano (acontece-me muita vez), mas depois prestei atenção e era uma mulher a mandar-me virar à direita. Levei algum tempo a perceber que era o telemóvel a conduzir-me amargamente até ao meu destino e ainda mais tempo a conseguir confiar no dito. A verdade é que aquela voz fria, distante e autoritária acabou por me levar a bom porto e fiquei aliviada quando o pequeno aparelho me disse, azedo: "chegou ao seu destino", apagou as luzes e emudeceu. 

Será que há alguma opção para tornar a voz do GPS mais quente e amistosa? É que isto assim mete um bocado de medo. Mas também nunca ninguém disse que a primeira vez era fácil...

07 janeiro 2015

A menina tem?

Veio cá o electricista arranjar uns cacarecos e, quase no final do trabalho, chama-me e pergunta:
- "Olhe, desculpe, tem silicone?"
E eu, do alto da minha mente perversa criatividade, juro que pensei agarrar as madalenas e responder:
- "Não, não, amigo! Isto é tudo material original, criado pelos paizinhos na década de 80!"
Mas limitei-me a sorrir amavelmente e a ir à arrecadação buscar a dita.

29 dezembro 2014

Ufa, ufa, que já passou!


E contei com 2 constipações, 1 intoxicação alimentar e 1 crise de cólicas (gases, vá...). Juntando isto tudo conseguimos um Natal relativamente quente, com algumas prendas e poucos doces/salgados/porcarias porque as tripas não mo permitiram. Sempre deu para manter a linha!

Nem tudo é mau, como vêem! :D

19 dezembro 2014

3 meses depois...

Quase 3 meses depois de ter sido despedida dispensada, olho para trás e percebo que foi, provavelmente, o melhor que me podia ter acontecido. A pós-graduação tem servido para me abrir novos horizontes e introduziu-me num universo onde nunca pensei perder-me. 

Na última entrevista a que fui perguntaram-me o que gostava de fazer no futuro, o que me imaginava a fazer com gosto para o resto da vida. Nunca tinha pensado muito nisso, sempre quis trabalhar e pronto. Mas agora descobri finalmente aquilo a que não me importava de dedicar 8 horas, 5 dias por semana (ou até mais), durante todos os dias da minha vida. Ilustração. A resposta é ilustração infantil. Estou completamente rendida, absorvida, viciada... É um mundo quase sem regras, onde tudo é possível e a palavra de ordem é quebrar as regras chatas da mente chata e fechada dos adultos. 

Sempre me considerei criançola. Responsável, claro, mas uma criança grande, e é bom poder finalmente soltar a imaginação sem limites. 

Por agora perco-me nos livros e nas cores... :)


09 dezembro 2014

A caminho do Natal

Cá por casa há séculos que não fazemos árvore de Natal. Temos uma certa incompatibilidade chamada GATOS. Portanto tudo se resume a uma mesinha de canto com uma toalha natalícia, que serve para arrear todos os presentes em cima.

As prendas já estão compradas; despachei tudo no Domingo, que não tenho cá pachorra para guardar tudo para dia 24. Faltam só duas ou três, que pretendo ser eu a fazer.

E pronto, está tudo a postos. Até os tarecos já estão "in the mood".




08 dezembro 2014

O dia em que me fanaram o carrinho de supermercado

Quando penso que já vi de tudo, pimbas, lá aparece qualquer coisa para me surpreender. Porque já me roubaram muita coisa, mas sempre tomei como garantido o meu carrinho de supermercado a abarrotar de coisas. Quer dizer, quem é que se interessa por um carro cheio de iogurtes, fruta e pensos higiénicos? Pois é, meus amigos, mas isto é verídico! Distraí-me um pouco na secção dos livros e quando dei por ele... Cadê o carro? Puff, evaporou-se! Andei 15 minutos para baixo e para cima, em desespero, já a dizer mal da minha vida e a pensar que tinha de ir buscar tudo outra vez, quando o encontrei, sozinho e abandonado na secção dos brinquedos, com os congelados a derreter e a pingar para o chão.

Agora a sério, pessoas, se algum dia perceberem que pegaram num carrinho que não é o vosso, por engano, por favor voltem a pô-lo onde estava. Ou pelo menos relativamente perto da zona. Ou no corredor central, vá!