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19 agosto 2015

Pranchas e alforrecas (ou não sei que título dar a isto)

Hoje foi o 1º dia verdadeiramente bom de praia. Sem vento e com água um pouco mais quente. Cheia de alforrecas também.

Enquanto tentava entrar no mar, equilibrando os arrepios do choque térmico com o nojinho das alforrecas, uma miudinha (não tinha mais de 11 anos) montada numa prancha dirigiu-se à minha pessoa.
- Senhora, não precisa ter medo das alforrecas. Elas estão mortas, não picam. Eu costumo apanhá-las com a mão. Se pegar só na cabeça não faz mal.
- Não tenho medo, fazem-me é impressão. São muito viscosas...
- Ah, isso são mesmo! - e deslizou com a prancha numa onda.
Voltou pouco tempo depois:
- Senhora, mergulhe logo de uma vez! Como está a fazer é mais difícil! - e tornou a apanhar uma onda.

E eu fiquei ali, de cara à banda perante a audácia da gaiata. E nem me refiro ao facto de me tratar por "senhora", que isso é coisa a que nunca me hei-de acostumar (não nos deviam avisar quando mudamos de estatuto?), mas à vontade de ensinar a missa ao vigário. Ah, a bela da idade em que achamos os adultos uns tontos ignorantes! Ainda há uns anos atrás era eu ali, em cima da pracha (quantos anos mesmo? 10? 20? - oh tempo, abranda, moço!)

01 novembro 2014

Ó Ana, e o teu Hallo-coiso? - perguntam vocês

Foi fantástico! - respondo prontamente. (not)

Resumidamente posso dizer-vos que a minha mãe tem osteoporose muito muito avançada, com ossinhos semelhante a uma senhora de 90 anos. Qualquer coisinha e ela parte-se toda.

Pois que a senhora minha mãe caiu em casa na 4ª feira e partiu uns quantos ossos da órbita esquerda mais uns quantos da testa e do nariz. Mas está bem, está em casa, já tirou a tala e os tampões do nariz e só se queixa com dores no pescoço - é uma valente, é o que é! Mas tem a cara feita num oito e os dois olhos roxos.

Então imaginem ontem, em pleno dia de Halloween, nós as duas andando pelos corredores do hospital para uma consulta com um cirurgião plástico, com as crianças mascaradas todas a olharem para nós, a apontarem e a perguntarem bem alto de que é que a senhora estava mascarada. O meu pensamento foi apenas um:


Pandinha, filhos, está de pandinha. Agora voltem à vossa vidita antes que vos pespegue com um docinho nas fussas para verem como o Halloween é mágico.


[Vá, podem rir um bocadinho, que nós por aqui também levamos estas coisas na brincadeira, senão era uma tristeza pegada.]

24 setembro 2014

Ana e os petizes

Ontem tive visitas cá em casa que trouxeram de brinde um petiz de 3 anos. Não sou grande adepta de crianças nem tenho muito jeito para elas, mas o garotinho (como aliás, todas as crianças com quem privo) achou que eu tinha ar de boa compincha e chamou-me logo para brincar. Devo dizer que vejo aqui algumas semelhanças com o comportamento dos gatos, que pressentem quem não gosta deles e se sentam automaticamente no seu colo em jeito de provocação.

Pois que o gato miúdo tinha uma energia invejável e, ao fim da 3ª volta a correr ao quintal (vai ser maratonista, acreditem!), eu já deitava a língua de fora e pedia-lhe encarecidamente que parasse. E toda aquela correria deve-lhe ter acelerado a tripa, porque na 4ª volta, a meio da subida, o puto largou um peidinho sonoro, que eu fingi ignorar. Vá, pensei que tivesse sido impressão minha. Mas não foi. Durante a 5ª volta soltou um valente peido estridente pum, após o qual parou a olhar para mim com ar comprometido e, vendo a minha cara de admiração, afirmou: "Dei pum!!". Fiquei perdida de riso. Pois amiguito, isso vi eu, mas cocó é com a mamã, não venhas cá com ideias.

E é assim a minha relação com as crianças, um misto de ternura reprimida com um instinto maternal inexistente.