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22 agosto 2016

A minha santa igenuidade

Eu sei que as gaivotas defecam. Quer dizer, é óbvio que se existem logo comem logo defecam. Mas na minha santa ingenuidade sempre pensei que elas o faziam em privado, longe das vistas, cheias de cuidado para não atingirem ninguém, as púdicas. Isto porque nunca conheci ninguém que tivesse levado com uma cagadela em voo. Já ouvi sobre cagadas de pombo e de pardal, mas nunca de gaivota.

Olá, o meu nome é Ana e hoje levei com um cocó de gaivota em cima. Doeu. Sujou-me o fato-de-banho e a toalha. Estou ferida na minha dignidade.

E aqui entre nós, que raio é que aquelas bichas comem? Alcatrão? É que juro-vos que o que me atingiu era negro, peganhento e duvido que saia na lavagem.

24 novembro 2015

Aqueles momentos em que não sabes bem para onde olhar

Nunca sei o que esperar das minhas aulas de desenho. Ora é para desenhar plantas, funis, ossos, garrafas partidas, raparigas com carrapitos... o que der na bolha ao professor na altura.

Pois que na última aula entrei porta adentro e estava plantado no meio da sala um moço em tronco nu, com uma toalhinha à cintura. "Pronto, hoje vamos parar de desenhar carrapitos e vamos passar para modelos masculinos" - pensei, na minha ingenuidade. Só que não. Sem que tivesse tempo para me preparar psicologicamente, o moço arrancou a toalhinha e ficou assim, como Deus (e a sua mãezinha) o pôs no mundo. E agora vá, pequenada, toca a desenhar a vista de frente, de lado, de trás e de como mais se lembrarem.

Demorei um bocado a acostumar-me à coisa. Quer dizer, não é fácil ficar assim a olhar fixamente para um estranho em pelota. Mas vá, tudo em nome da arte.

Tenho medo do que me espera da próxima aula. 

30 julho 2015

Façam as vossas apostas

Fui hoje abordada por um turista nórdico. Eu ia carregadíssima, com um saco grande de supermercado numa mão e uma melancia na outra. O moço dirigiu-se a mim, em inglês, porque:

(atentem as hipóteses e escolham a que vos parecer menos provável)

a) queria saber qual a empresa de Tuk-Tuk mais próxima;
b) queria saber onde tinha comprado a melancia;
c) queria saber o que estava escrito na minha T-shirt, meio tapada pela dita fruta.