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25 novembro 2017

Amar, apenas


Há momentos na vida que te pôem à prova. Momentos que te reviram, te esventram, te esmagam. Momentos em que duvidas de ti, dos outros, da própria existência... Momentos em que quase desistes, quase te deixas ir.

Mas não.

Segues em frente e levantas o queixo. Encaras o futuro de frente, com os olhos molhados e de buraco no peito. Segues, seguindo. Segues sem nada esperar. Segues vivendo, apenas.

E adiante, sem aviso prévio, tropeças. Abalroa-te uma nova sensação,  um fervilhar interior.  Sentes-te grande, enorme, gigante. Sentes-te completamente completo e sabes que agora sim, tudo está certo. Tudo está no seu lugar. Nesse momento o coração bate, apenas. E tu sabes apenas que amas. Amas muito. Apenas amas.

11 dezembro 2015

Vens?

Acordo e reviro os lençóis.
Estava ainda agora em teus braços, tua boca na minha, o mundo a nossos pés.
Era para sempre, senti-o. Disseste-mo com os olhos e eu acreditei.
Mas, sem demoras, ZAS, foste-me arrancado. 
Coração fora do peito e ainda te sinto. 
Perco a conta dos dias, mas ainda te sinto.
Onde estás? Em que recanto nos perdemos?
Vens?
Entristece-me saber-te longe. Ou inexistente.
Virás?

02 agosto 2015

Cor de porquinho


O meu pai era um pequeno tição de morenice; os menos amigos chamavam-lhe "o preto". Enquanto gaiata gozei do tom de pele mais bem passado, sobretudo no Verão, altura em que parecia meio ciganita. Depois, não sei precisar quando, fui colocada em lixívia e fiquei assim, pálida dos pés à cabeça, e não há sol que me valha. 

Este ano a coisa está crítica: estamos no início de Agosto e ainda não pus as reais patas na areia da praia. Estou mais que pálida, estou branco-lula, rosa-porquinho, copinho de leite. E não, não tenho vergonha em vestir calções, que nem toda a gente foi abençoado com uma cor de pele saudável. 

Vá, torçam por mim, a ver se consigo torrar um bocadinho este ano. Não peço muito, bastava-me o tom galão-claro.