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25 novembro 2017

Amar, apenas


Há momentos na vida que te pôem à prova. Momentos que te reviram, te esventram, te esmagam. Momentos em que duvidas de ti, dos outros, da própria existência... Momentos em que quase desistes, quase te deixas ir.

Mas não.

Segues em frente e levantas o queixo. Encaras o futuro de frente, com os olhos molhados e de buraco no peito. Segues, seguindo. Segues sem nada esperar. Segues vivendo, apenas.

E adiante, sem aviso prévio, tropeças. Abalroa-te uma nova sensação,  um fervilhar interior.  Sentes-te grande, enorme, gigante. Sentes-te completamente completo e sabes que agora sim, tudo está certo. Tudo está no seu lugar. Nesse momento o coração bate, apenas. E tu sabes apenas que amas. Amas muito. Apenas amas.

22 agosto 2016

A minha santa igenuidade

Eu sei que as gaivotas defecam. Quer dizer, é óbvio que se existem logo comem logo defecam. Mas na minha santa ingenuidade sempre pensei que elas o faziam em privado, longe das vistas, cheias de cuidado para não atingirem ninguém, as púdicas. Isto porque nunca conheci ninguém que tivesse levado com uma cagadela em voo. Já ouvi sobre cagadas de pombo e de pardal, mas nunca de gaivota.

Olá, o meu nome é Ana e hoje levei com um cocó de gaivota em cima. Doeu. Sujou-me o fato-de-banho e a toalha. Estou ferida na minha dignidade.

E aqui entre nós, que raio é que aquelas bichas comem? Alcatrão? É que juro-vos que o que me atingiu era negro, peganhento e duvido que saia na lavagem.

14 agosto 2016

Crónicas da ruralidade #1

(Post de dia 3 de Julho no meu Facebook. Bom demais para não ser publicado no blog)

Notícias da Nenhurolândia onde me encontro a morar actualmente:

1- o gato do vizinho (e refiro-me ao animal de 4 patas, não ao vizinho em si, que infelizmente é velho e surdo) vem ao meu quintal todos os dias com um pássaro morto na boca, ficando horas a mastigar as penas e a lavar-se de todo o sangue.
2- finalmente atinei com a arte da poda e este ano tenho hortênsias. Afinal o problema estava em mim e não nelas.
3- comprei um manjerico pelos Santos e ainda não morreu. Parece até que está a começar a florir. Isso ou está com bolinhas de bolor.
4- tenho lesmas mutantes, mais grossas que polegares, que fazem arte abstracta nos meus muros. Pena só ser visível com luzes UV.
5- acordo todas as manhãs às 5.50h com um filho da mãe de um pardal a esgoelar-se todo na minha janela. Alguém precisa de aulas de canto!
6- sou tão menina da cidade que a quietude do campo me desespera a ponto de escrever coisas destas.

24 novembro 2015

Aqueles momentos em que não sabes bem para onde olhar

Nunca sei o que esperar das minhas aulas de desenho. Ora é para desenhar plantas, funis, ossos, garrafas partidas, raparigas com carrapitos... o que der na bolha ao professor na altura.

Pois que na última aula entrei porta adentro e estava plantado no meio da sala um moço em tronco nu, com uma toalhinha à cintura. "Pronto, hoje vamos parar de desenhar carrapitos e vamos passar para modelos masculinos" - pensei, na minha ingenuidade. Só que não. Sem que tivesse tempo para me preparar psicologicamente, o moço arrancou a toalhinha e ficou assim, como Deus (e a sua mãezinha) o pôs no mundo. E agora vá, pequenada, toca a desenhar a vista de frente, de lado, de trás e de como mais se lembrarem.

Demorei um bocado a acostumar-me à coisa. Quer dizer, não é fácil ficar assim a olhar fixamente para um estranho em pelota. Mas vá, tudo em nome da arte.

Tenho medo do que me espera da próxima aula. 

02 agosto 2015

Cor de porquinho


O meu pai era um pequeno tição de morenice; os menos amigos chamavam-lhe "o preto". Enquanto gaiata gozei do tom de pele mais bem passado, sobretudo no Verão, altura em que parecia meio ciganita. Depois, não sei precisar quando, fui colocada em lixívia e fiquei assim, pálida dos pés à cabeça, e não há sol que me valha. 

Este ano a coisa está crítica: estamos no início de Agosto e ainda não pus as reais patas na areia da praia. Estou mais que pálida, estou branco-lula, rosa-porquinho, copinho de leite. E não, não tenho vergonha em vestir calções, que nem toda a gente foi abençoado com uma cor de pele saudável. 

Vá, torçam por mim, a ver se consigo torrar um bocadinho este ano. Não peço muito, bastava-me o tom galão-claro. 

16 fevereiro 2015

Ser mãe

Ontem, enquanto dava banho e cortava as unhas dos pés à minha mãe, pus-me cá a pensar: "caraças, Ana, que tu realmente és uma super-miúda!". Ora atentem:

Sou doméstica, sou cozinheira, sou empregada, sou companheira.
Sou esteticista, conselheira, podóloga e manicure.
Sou modista, motorista, médica e enfermeira.
Sou guarda-fraldas, governanta, gestora e contabilista.
Sou massagista, consultora, protectora e animadora.
Sou argumentista, orçamentista, ginasta e malabarista.
E no meio disto tudo ainda tenho a minha vida.
Basicamente... sou mãe! :)

12 fevereiro 2015

Lamechices

Confesso que só recebi 2 cartinhas do Dia dos Namorados na vida, até porque é um dia que me passa completamente ao lado.

A 1ª tinha eu 15 anos e veio da parte do meu professor de inglês. O homem tinha a mania que era galã e decidiu enviar recadinhos para todas as alunas. A mim calhou-me um poema em que o autor perguntava à amada porque tinha ela comido as últimas ameixas do frigorífico, sabendo perfeitamente que era a fruta preferida dele. Uma coisa extremamente romântica, sem dúvida (cheira-me que deve ter havido porrada quando a amada chegou a casa, mas.....).

A 2ª carta chegou-me este ano, em tamanho A4, num envelope bem vermelhão, sem remetente e directamente de Londres. Só vos digo que dou graças a Deus por aquilo vir bem fechadinho, porque é tão, mas tão lamechas, que faria corar quem quer que o lesse.




E se, por um lado, estou para aqui a sentir enjoos perante tamanha pirosada, estou também sem saber que raio hei-de eu dizer ao rapazinho. Que recebi e adorei? Minto-lhe ou parto-lhe o coração?

Oh, a vida é dura! 

04 janeiro 2015

A minha mãe é uma crente

Amanhã recomeço as aulas da pós-graduação e, sabendo isto, pergunta-me a minha mãe:
-"Ó Ana, e não tinhas TPC? Já os fizeste?"

(Olá, o meu nome é Ana e tenho 8 anos.)

10 novembro 2014

Da chuva

E pronto, parece que chegou mesmo a altura de andar nos passeios lisboetas a bater com os chapéus de chuva abertos uns nos outros. As pessoas não percebem que o espaço que ocupam - aquilo a que eu chamo de "bolha" ou de "metro quadrado privado"- é duas vezes superior quando têm um guarda chuva empinado.

Começa também agora a tortura de ter a casa transformada em acampamento, com roupa pendurada em todo o lado menos no local devido, o varal.

Fora isso... ânimo, minha gente! É segunda feira!

01 novembro 2014

Ó Ana, e o teu Hallo-coiso? - perguntam vocês

Foi fantástico! - respondo prontamente. (not)

Resumidamente posso dizer-vos que a minha mãe tem osteoporose muito muito avançada, com ossinhos semelhante a uma senhora de 90 anos. Qualquer coisinha e ela parte-se toda.

Pois que a senhora minha mãe caiu em casa na 4ª feira e partiu uns quantos ossos da órbita esquerda mais uns quantos da testa e do nariz. Mas está bem, está em casa, já tirou a tala e os tampões do nariz e só se queixa com dores no pescoço - é uma valente, é o que é! Mas tem a cara feita num oito e os dois olhos roxos.

Então imaginem ontem, em pleno dia de Halloween, nós as duas andando pelos corredores do hospital para uma consulta com um cirurgião plástico, com as crianças mascaradas todas a olharem para nós, a apontarem e a perguntarem bem alto de que é que a senhora estava mascarada. O meu pensamento foi apenas um:


Pandinha, filhos, está de pandinha. Agora voltem à vossa vidita antes que vos pespegue com um docinho nas fussas para verem como o Halloween é mágico.


[Vá, podem rir um bocadinho, que nós por aqui também levamos estas coisas na brincadeira, senão era uma tristeza pegada.]

16 outubro 2014

Das entrevistas

Fui ontem a uma entrevista de trabalho - a minha 1ª desta nova etapa. Durou quase 1 hora, o que, à partida, seria assustador. Mas não. Correu super bem, eu estava super à vontade porque é aquilo que faço de melhor e a empresa é muito boa. Sou capaz de ter falado demais e de ter parecido demasiado entusiasmada em relação ao que sou capaz e gosto de fazer, mas azar, puxaram por mim e eu desbobinei.

Agora é fazer figas e esperar. 
Isto de voltar à faculdade aos 30 é outra categoria. Tenho uma predisposição totalmente diferente e uma maturidade para perceber o que me dizem que me faz sentir mesmo adulta. Já tendo visto muita coisa e enfrentado o mercado de trabalho, consigo compreender na perfeição os exemplos e case studies que me são apresentados e adaptá-los à minha experiência e necessidades. O meu espírito crítico e de análise também é outro.

Sim, só fui a 2 aulas e já estou a adorar. Sento-me nas filas da frente e mantenho este ar de deslumbramento:


Fazem-me pensar e questionar as coisas e, como croma que sempre fui, maravilho-me (do verbo "maravilhar").

12 outubro 2014

Como diria a Annie: "tomorrow, tomorrow!"


Começo amanhã as aulas da pós-graduação e estou super entusiasmada. Já tenho o caderno e o estojo prontos, encontrados no meio de tralha escolar que sobrou dos meus tempos de licenciatura. O estojo é do Harry Potter, mas espero que ninguém repare! xD 

18 setembro 2014

Sabem o que vos digo?


Que começar a vender tralha na internet foi o melhor que fiz. Em pouco mais de 1 mês já conto com 200€. Siga, que ainda há muito para despachar nas prateleiras.

Será que consigo vender as garrafas de Whisky do meu pai? 

13 setembro 2014

Afinal que fazes tu, Ana?


Tenho falado aqui várias vezes do meu "ex-emprego", mas não vos cheguei a contar o que faço. Não, não sou fotógrafa, como às vezes vos levo a pensar. Sou designer. Gosto de cores e formas, imagens, bonecos... etc etc. Tenho gosto especial por coisas bonitas, mas também, quem não tem?

Sou especialista em edição de imagem e criação de animações, mas este ano vou fazer uns cursos de ilustração e edição de livros, porque tenho uns projectos que me pedem mais do que aquilo que sei sobre essa matéria.

Entretanto cá estou, à vossa disposição, para um dedo de conversa, uma imagem corrigida ou um cabeçalho novo para o vosso blog. Ah, também aceito convites de casamento e baptizado (fazê-los, entenda-se! Não me estou a fazer convidada para as vossas festas!).

Qualquer coisa mandem-me mail, que terei todo o gosto em mostrar-vos o meu portfólio.

Vá pessoas, dêem-me trabalho, dêem-me coisas giras para fazer, senão aborreço-me!! :D

09 setembro 2014

Freedom


Ontem foi o meu último dia na empresa. Foi um alívio. Finalmente acabou tudo e agora sou livre para seguir um novo rumo e aceitar o que o destino tiver para me mostrar. Foi um dia emocionalmente puxado, com colegas a choramingar abraçadas a mim, enquanto eu fazia um esforço descomunal para não lhes seguir o caminho e começarmos todas numa choradeira pegada com direito a fungadelas. Mas lá consegui manter a compostura e saí de cabeça erguida e um sorriso no rosto. Foi bom enquanto durou.

Durante quase 4 anos adorei aquele emprego. Levantava-me com gosto e nem dava pelo tempo passar enquanto trabalhava. Os colegas rapidamente passaram a amigos e fazíamos realmente uma equipa fantástica. Assim que soube que não me iam renovar, no entanto, foi como se o encantamento se quebrasse e os defeitos da empresa começaram a ser gritantes. Percebi que, sem dar por isso, já não gostava assim tanto de ali estar, apenas tinha caído no conforto da rotina, demasiado acostumada para procurar qualquer mudança. Agora é a minha oportunidade de voar mais alto e aceitar novos desafios. Vamos a isso! :)

01 setembro 2014

Sabem o que é pior do que ser dispensado?*

Ter de trabalhar mais algum tempo. Todo o brio que tinha, toda a atenção e dedicação, simplesmente... *puff*.... foram-se. Já não quero saber. Entrei em modo "empregado-zombie".

Vai ser uma semana bonita, esta. Vai, vai! Salvem-se as aulas de ballet.

* [Dispensado é mais bonito que despedido, ainda que na prática vá dar ao mesmo.]

26 agosto 2014

20%

Sabem aqueles 20%? Pronto. Aconteceu. Fui despedida.

M*rda.

E agora? 

Respirar fundo e seguir em frente.

16 agosto 2014

Inseguranças

A única coisa que me está a incomodar nestas férias (para além do vento) é o facto de não saber se tenho para onde voltar quando acabarem. Estou no final do meu terceiro contrato na empresa e agora é a sério: ou fico efectiva ou me mandam embora. E acho muito desumano deixarem-me vir de férias nesta incerteza. E se de repente toca a o telefone para me dizerem que já não vale a pena voltar e que passe por lá para arrumar as minhas coisas? É certo que tenho 80% de chances de ficar, mas 20% são 20%, e esses estão a dar cabo de mim.

Eu sei que nos tempos que correm estar efectivo não vale absolutamente nada, mas tenho planos a longo prazo que só posso realizar com a porcaria de um papel na mão a dizer que tenho um lugar assegurado, porque infelizmente um contrato a prazo é considerado "trabalho temporário" e não me levam a sério nessas condições.